O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) declarou inconstitucional parte das alterações realizadas no mapa da Lei de Zoneamento da capital em julho de 2024. A decisão, tomada pelo Órgão Especial nesta quarta-feira (26/08), representa um novo capítulo nas discussões sobre ocupação urbana, verticalização e preservação das características dos bairros paulistanos.
De acordo com o TJSP, a Lei nº 18.081, aprovada em janeiro de 2024 e responsável pela revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, foi considerada constitucional. Já o artigo 8º da Lei nº 18.177, de julho de 2024, que promoveu novas alterações no mapa de zoneamento, foi declarado inconstitucional.
Entenda o julgamento
Por que o Tribunal derrubou as alterações?
A discussão está diretamente relacionada à forma como as mudanças foram introduzidas no processo legislativo.
Segundo o TJSP, o projeto que deu origem à lei de julho de 2024 previa inicialmente ajustes e correções no mapa do Zoneamento aprovado meses antes. Durante a tramitação na Câmara Municipal, no entanto, foram incluídas emendas que promoveram alterações mais amplas.
Para o Tribunal, essas mudanças extrapolaram a finalidade original da proposta e resultaram em modificações substanciais no Zoneamento sem que houvesse o processo de participação popular adequado para discutir as novas alterações.
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Por que isso é importante? Regras de Zoneamento podem modificar a forma como os bairros são ocupados e produzir reflexos sobre trânsito, infraestrutura, mobilidade, áreas verdes e qualidade de vida. Por isso, a participação da população é parte fundamental das discussões sobre mudanças dessa dimensão. |
Na prática
O que muda com a decisão?
Com o julgamento, as alterações no mapa promovidas pelo dispositivo considerado inconstitucional deixam de prevalecer, restabelecendo-se as regras anteriores nas áreas atingidas.
O TJSP, entretanto, estabeleceu uma regra de transição para preservar atos administrativos praticados durante o período em que a legislação esteve em vigor. Por isso, a decisão não significa o cancelamento automático de todos os projetos e licenciamentos apresentados nesse intervalo.
O caso ainda poderá ter novos desdobramentos judiciais, o que torna importante acompanhar a publicação do acórdão e eventuais recursos.
Jardim Marajoara
Uma mobilização que faz parte da história do bairro
No Jardim Marajoara, a preocupação com mudanças no Zoneamento e seus possíveis impactos sobre as características residenciais do bairro não é recente.
Ao longo dos anos, moradores se mobilizaram em defesa das Zonas Exclusivamente Residenciais (ZER) e contra alterações que pudessem comprometer o perfil predominantemente residencial da região.

Esses registros ajudam a contar uma história de participação comunitária. Famílias, adultos e crianças foram às ruas para demonstrar sua preocupação com mudanças capazes de alterar a ocupação do bairro.
Nas manifestações, as próprias faixas resumiam o posicionamento dos moradores e mostravam de forma direta o que estava em discussão.
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“Marajoara é residencial e quer continuar assim” Mensagem presente na mobilização dos moradores em defesa do bairro. |
Outra mensagem presente nas manifestações — “Marajoara é contra a mudança de zoneamento” — reforçava a preocupação da comunidade com alterações que pudessem modificar as características da região.

A preocupação permanece atual. Mudanças significativas na ocupação do solo podem produzir consequências que ultrapassam os limites de um empreendimento, com reflexos no trânsito, na infraestrutura urbana, nas áreas verdes e na qualidade de vida de toda a vizinhança.
Participação comunitária
Movimento ZER e a defesa do Jardim Marajoara
O Movimento ZER Jardim Marajoara tornou-se uma expressão dessa mobilização comunitária. Por meio de manifestações e da participação dos moradores nas discussões sobre o futuro da região, a comunidade passou a acompanhar de perto propostas capazes de alterar as características do bairro.
Essa trajetória ganha novamente relevância diante da recente decisão do TJSP.
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Embora o julgamento não trate exclusivamente do Jardim Marajoara, a decisão reforça um princípio que está no centro dessa mobilização histórica: mudanças relevantes nas regras de ocupação da cidade precisam ser realizadas com planejamento, transparência e efetiva participação da população. |
A experiência do Jardim Marajoara mostra que acompanhar essas discussões e participar dos processos de decisão são formas importantes de defender os interesses coletivos e contribuir para que o desenvolvimento urbano considere as características e necessidades de cada região.
A decisão do TJSP representa mais um capítulo desse debate e reforça a importância de a comunidade permanecer atenta às propostas que possam interferir no futuro do bairro.
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SAJAMA acompanha A SAJAMA seguirá acompanhando as discussões sobre o Zoneamento e seus possíveis impactos no Jardim Marajoara, mantendo os moradores informados sobre novos desdobramentos. |










